8 de junho de 2018

Conselho Estadual de Cultura aprova tombamento do Terreiro Tumba Junsara

:: É com enorme alegria que compartilhamos mais uma grande vitória do Terreiro Tumba Junsara! Estamos quase lá!
Obrigada a todos que vem se mobilizando e se juntando a nós nesse caminhar :: 🍃
#TombaTumba

matéria do site da SECULT BA - clique AQUI

Cultura

08/06/2018 12:12

Conselho de Cultura da Bahia aprova tombamento do terreiro Tumba Junsara


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O Conselho Estadual de Cultura (CEC) aprovou o processo de tombamento do terreiro Tumba Junsara no bairro do Engenho Velho de Brotas em Salvador em plenária na tarde desta quinta-feira, 07. A concessão de título de Patrimônio Material da Bahia ao sítio, que culta e transmite tradições do candomblé de origem angolana, foi chancelada por unanimidade.

Vinculado a práticas dos povos de origem Bantu, o Tumba Junsara é uma das casas de Angola mais antigas em atividade na Bahia e irá completar seu centenário em 13 de junho de 2019. O terreiro, que foi inicialmente fundado no município de Santo Amaro da Purificação, ocupa o atual endereço em Salvador desde 1938 e hoje tem como liderança espiritual a “Mameto” Iraildes da Cunha e como presidente da entidade criada para cuidar e defender seus interesses o “Tata” Esmeraldo Emetério.

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“O reconhecimento do candomblé de nação angola como patrimônio cultural implica no entendimento da singularidade de sua gente, na relevância de suas lutas cotidianas em nossa história cultural, para a preservação da riqueza das formas de viver e de cultuar o reino sagrado. Patrimônio é acima de tudo a valorização das várias lutas de um povo, ao longo das épocas, que se tecem, se fiam, do passado até atualidade” declarou a conselheira Nide Nobre, que elaborou o parecer recomendando a aprovação.

O parecer de Nobre foi amplamente debatido na quarta-feira, 6, no âmbito da Câmara de Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Natural do Conselho.

“Nos reunimos em dois momentos para conseguir dar andamento a esse processo. O parecer apontava algumas lacunas no dossiê e por isso nos desdobramos para que conseguíssemos ainda nessa plenária realizar a votação com o conjunto dos conselheiros. Tivemos que acionar o IPAC para obter mais informações e deliberar de um modo mais criterioso” disse Ana Vaneska, presidente da Câmara e vice-presidente do CEC.

O Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), através da Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural - DIPAT/IPAC, executou todas as etapas técnicas do processo para o tombamento do terreiro, que culminou no dossiê encaminhado para o Conselho de Cultura, órgão responsável por analisar e julgar o tombamento definitivo de bens.

De acordo com o diretor da DIPAT/IPAC, Roberto Pellegrino, a instrução técnica do processo se deu através do recolhimento de todas as informações detalhadas sobre o terreiro, assim como a elaboração de um parecer técnico e anexos compostos por informações como a iconografia, escritura de propriedade, matérias de jornais e artigos, por exemplo.

“Com este parecer conclusivo e favorável do Conselho Estadual de Cultura, em relação ao Terreiro Tumba Junsara, o mesmo será encaminhado à Secretaria de Cultura, sendo em seguida submetido à homologação do Governador do Estado que, estando de acordo, publicará o respectivo Decreto no Diário Oficial do Estado”, explica Roberto.

“O Tumba Jussara já tinha o tombamento provisório e o parecer afirma a necessidade desse tombamento definitivo. Foi um parecer rico em informações e bem minucioso, que lança luz sobre as questões fundiárias que muitos terreiros passam e a partir do qual fica clara a necessidade de um plano de salvaguarda mais elaborado para o Tumba Junsara”, afirmou o conselheiro Mateus Torres, também coordenador de Preservação e Fomento do Centro de Culturas Populares e Identitárias.

O Tumba Junsara tem ligado a si mais de 500 terreiros em todo o Brasil. São casas fundadas por “filhos espirituais” dele provenientes. “Elas seguem e praticam as nossas mesmas tradições”, explicou o “Tata” Emetério que acompanhou junto com outros integrantes do Junsara a plenária do CEC.

“A família do Tumba Junsara está de parabéns pelo trabalho que desempenha na preservação da nossa história” declarou o conselheiro Zulu Araújo, também presidente da Fundação Pedro Calmon e que já foi presidente da Fundação Cultural Palmares.

Ao fim da sessão plenária, os conselheiros saudaram os representantes e filhos do terreiro que acompanharam a sessão.

28 de maio de 2018

27 de maio de 2018

:: ATENÇÃO FAMÍLIA TUMBA JUNSARA ::

Amigos e família Tumba Junsara
Estamos disponibilizando para download dois documentos importantes:

1 - Solicitação de reconhecimento oficial de Ndanji (raíz/ família) Tumba Junsara 🍃
Aos que desejam o certificado de reconhecimento oficial de Ndanji Tumba Junsara: estamos dando continuidade ao processo de cadastramento da família.
Sabemos que somos muitos e por isso é muito importante que todos participem!
Como fazer:
a - preencher o formulário que está disponível para download no link que segue: https://drive.google.com/open…
b - Após preenchimento, mandar uma via assinada para a ABENTUMBA (Associação Beneficente de Manutenção e Defesa do Terreiro Tumba Junsara) via postal, digitalizada ou ainda através de entrega pessoal.
Envio por email para : tumbajunssara@gmail.com
Dúvidas ou informações através do mesmo endereço de email ou ainda pelo site

2 - Ficha cadastral para associação à ABENTUMBA.
Se você é amigo ou família Tumba Junsara e deseja se associar à Associação de Manutenção e Defesa do Terreiro Tumba Junsara (ABENTUMBA), basta preencher o documento disponível no link abaixo, assinar e enviar cópia para a ABENTUMBA via postal, digitalizada ou ainda através de entrega em mãos.
É possível se associar através de duas categorias:
a) Sócio benemérito - contribuição anual no valor de 1 salário mínimo de forma parcelada ou à vista
b) Sócio comum - valor de acordo com sua possibilidade
Envio por email para : tumbajunssara@gmail.com
Dúvidas ou informações através do mesmo endereço de email ou ainda pelo site

Certos da participação e ampla divulgação de todos
ABENTUMBA / Terreiro Tumba Junsara 🍃

24 de abril de 2018

Dibangulango de abril

Nesta próxima quarta-feira, dia 25 de abril, realizaremos mais uma homenagem a Nzazi e Lwango no Terreiro Tumba Junsara, a partir das 17h30! Venham compartilhar conosco!


10 de abril de 2018

A Rede Record e o direito de resposta às religiões de matriz africana

por Pai Rodney — publicado 06/04/2018 10h42
CARTA CAPITAL - LINK AQUI
São 15 anos de luta para garantir que a emissora cumpra a decisão judicial. Mais uma batalha vencida, mas ainda não se sabe quando o direito vai ao ar
Na tarde de 5 de abril de 2018, representantes do candomblé, da umbanda e de outras tradições de matriz africana ocuparam o auditório do Tribunal Regional Federal de São Paulo para acompanhar o julgamento da ação que visa garantir o direito de resposta das religiões afro-brasileiras contra as ofensas veiculadas na programação da Rede Record e outras emissoras ligadas à Igreja Universal do Reino de Deus.
A questão se arrasta há 15 anos, desde que os representantes dos afro-religiosos ganharam a ação. Contudo, os inúmeros recursos e manobras judiciais impediram que o programa fosse ao ar. Dessa forma, os insultos e incitações à violência continuaram, aumentando e agravando os casos de intolerância.
Ao negar mais este recurso da Rede Record, o TRF-SP não só condena as emissoras a cumprir a decisão de direito de resposta, como torna mais patente os crimes cometidos contra a honra e a dignidade das religiões de matriz africana. Demonstra ainda como o racismo religioso tem sido praticado pela igreja universal, ultrajando toda cultura preservada pelo povo negro no Brasil.
Entre as ofensas exibidas nos programas da Record, a mais frequente é chamar sacerdotes da umbanda e do candomblé de pais e mães de encosto e tratar os orixás como demônios. A sentença prevê, entre outras sanções, a exibição na grade das emissoras de 16 horas de programação de conteúdo positivo e afirmativo sobre cultura e religiões de matriz africana.
A relatora e os demais desembargadores foram unânimes e julgaram improcedente o recurso, ratificando a sentença. Não se sabe, porém, quando os programas com o direito de resposta serão transmitidos e, ao que parece, ainda cabe recurso à Suprema Corte.
É, porém, justo que os povos tradicionais de terreiro comemorem. Trata-se de uma ação contra uma grande emissora de tevê e contra um conglomerado que movimenta verdadeiras fortunas. Sem falar do projeto político cada vez mais consolidado pelo grupo do bispo Edir Macedo.
A sustentação oral do advogado das religiões afro-brasileiras, Hedio Silva Junior, baseou-se na Constituição Federal e em toda legislação e jurisprudência vigentes, partindo da premissa de que vivemos num Estado laico. Teve que confrontar as alegações dos representantes da Record, que em boa parte de sua argumentação respaldaram-se na Bíblia e tentaram interpretar princípios jurídicos pelo viés religioso.
Talvez os advogados da Record tenham subestimado a outra parte ou mesmo a corte que julgava o recurso. Pelo jeito, nem se deram ao trabalho de se inteirar dos autos. Mencionaram a Bíblia como se num Estado laico um livro religioso pudesse se sobrepor à Carta Magna.
Argumentos pífios que, em vez de refutar, confirmaram os ataques e ofensas contra as religiões afro-brasileiras. Segundo os advogados, os programas apenas exerciam uma prerrogativa bíblica e o direito à liberdade de consciência, de crença e de expressão.
Só se esqueceram de uma coisa: um adepto de qualquer religião não pode evocar suas convicções religiosas para se eximir de obrigações legais impostas a todos, conforme prescrito no inciso VIII do artigo 5° da Constituição.
Obviamente, o entendimento dos desembargadores foi de encontro ao que sustentaram os advogados da Record e da TV Mulher, e a vitória por unanimidade deu às religiões de matriz africana um grande mote de união e luta.
Nada nunca foi fácil para o povo negro. Nossas manifestações religiosas e culturais sofreram todo tipo de perseguição, inclusivo do próprio Estado. Contudo, a possibilidade de ver uma rede de televisão exibir um direito de reposta dessa magnitude é um acontecimento histórico e deve mobilizar muitos adeptos da umbanda e do candomblé se ainda houver um recurso ao Supremo.
Desde que 21 de janeiro foi oficializado como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, há mais de 10 anos, a quantidade de denúncias e os casos emblemáticos só cresceram.
A morte de Mãe Gilda, vítima de intolerância e racismo religioso, emprestou à data um tom de revolta e a relacionou diretamente aos ataques sofridos pelos povos tradicionais de matriz africana.
Além disso, o caso de Kailane Campos, de 11 anos, atingida por uma pedrada enquanto retornava de uma celebração do candomblé, as invasões e depredações de terreiros promovidas por traficantes associados a igrejas evangélicas, tudo isso tem alimentado um clima de guerra e prejudicado o diálogo inter-religioso.
Não se pode prever um tempo de paz, sobretudo neste clima de polarização em que jaz o País. Os dias de luta ainda seguem e serão duros, principalmente para as minorias, mas não se pode negar a uma cultura de resistência a prerrogativa de reivindicar justiça e igualdade.
Valer-se das instituições jurídicas para garantir o que está previsto na Constituição mostra um tempo de maturidade e organização entre os devotos dos orixás e inscreve o Brasil na perspectiva do Estado Democrático de Direito. Resta saber se, ao fim e ao cabo, com Supremo, com tudo, a sentença será cumprida.